Boletim KAT | 08/06/2026
- Elisa Machado

- há 9 horas
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A semana passada trouxe novas informações que reforçam a percepção de que os juros permanecerão elevados por mais tempo nas principais economias do mundo.
Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) surpreendeu positivamente, com a criação de 172 mil vagas em maio, acima das expectativas de mercado. O dado reforça a resiliência da atividade econômica e reduz a urgência para cortes de juros pelo Federal Reserve. Como consequência, parte do mercado voltou a discutir a possibilidade de uma postura monetária mais restritiva por um período mais prolongado.
No Japão, a combinação de inflação ainda acima da meta e crescimento dos salários sustenta a expectativa de novas altas de juros por parte do Banco do Japão, em um movimento que representa uma mudança estrutural importante após décadas de política monetária extremamente expansionista.
Ao mesmo tempo, os conflitos geopolíticos seguem adicionando incertezas ao cenário global. As tensões no Oriente Médio e os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia continuam pressionando cadeias produtivas, custos logísticos e preços de commodities, dificultando o processo de convergência da inflação global.
No Brasil, também crescem as apostas de que o Banco Central poderá interromper o ciclo de flexibilização monetária. Os dados recentes continuam apontando uma economia mais aquecida do que o esperado. O PIB do primeiro trimestre avançou 1,4% na comparação trimestral, enquanto o Caged registrou a criação de 85,9 mil empregos formais em abril, evidenciando um mercado de trabalho ainda bastante robusto.
Diante desse contexto, os mercados passam a questionar se haverá espaço para novas reduções da Selic nos próximos meses, especialmente diante da persistência das pressões inflacionárias e da atividade econômica resiliente.
Nesta semana, as atenções estarão voltadas para os dados de inflação. Nos Estados Unidos, a divulgação do CPI será fundamental para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve. No Brasil, o IPCA de maio ajudará a definir o grau de conforto do Banco Central para seguir ou não com o processo de flexibilização monetária.
Em resumo, o cenário global continua apontando para uma convergência mais lenta da inflação e, consequentemente, para juros elevados por mais tempo — um ambiente que exige seletividade e disciplina na construção das carteiras de investimento.
Conteúdo sensacional.