Boletim KAT | 03/08/2026
- Elisa Machado

- 3 de ago.
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A guerra no Oriente Médio voltou a dar uma trégua. Depois de dias de troca de ataques entre EUA e Irã — com Trump chegando a dizer que os americanos golpeariam o país “com força” —, o presidente americano anunciou no sábado (1º/08) que concordou em suspender novos ataques, afirmando que o “perímetro de um acordo” já estava definido, incluindo a reabertura completa do Estreito de Ormuz.
O sinal de desescalada aliviou o petróleo: o Brent, que havia flertado com os US$ 100 na semana anterior, recuou para a casa dos US$ 90 — e o movimento ganhou força extra com notícias de que a OPEP+ estuda aumentar sua cota de produção, sinalizando mais oferta à frente.
No front da inflação, a semana que passou trouxe uma boa notícia. O IPCA-15 de julho subiu apenas 0,06%, surpreendendo as expectativas do mercado para baixo. Com isso, a inflação em 12 meses recuou para 4,52% e o acumulado do ano ficou em 3,51%.
Nos EUA, o Federal Reserve confirmou as expectativas do mercado e manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% pela quinta reunião seguida — decisão dividida, com três dos doze integrantes do FOMC votando por uma alta. Foi apenas a segunda reunião do novo presidente Kevin Warsh à frente do comitê, que adotou um comunicado mais enxuto e reforçou o discurso de “tolerância zero” com uma inflação persistentemente elevada, sem sinalizar claramente os próximos passos. A próxima decisão só sai em 15 e 16 de setembro até lá, o mercado deve monitorar de perto o discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole, em agosto.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária se reúne nos dias 4 e 5 de agosto para definir os rumos da Selic, hoje em 14,25% ao ano. Mesmo com a volatilidade recente trazida pela guerra e pelo petróleo, o mercado precifica um corte de 0,25 ponto, levando a taxa a 14% ao ano — visão reforçada pelo Boletim Focus mais recente, de 31 de julho, que já passou a projetar a Selic em 13,75% ao fim de 2026 (antes 14,00% na semana anterior), sinalizando que acredita no espaço para mais de um corte até dezembro.
O mesmo boletim trouxe a projeção do IPCA para 2026 recuando de 5,10% para 5,03%, na esteira do alívio inflacionário recente, embora o câmbio tenha sido revisado para cima, de R$ 5,20 para R$ 5,28. O espaço para o corte foi reforçado pelo alívio da inflação corrente, embora o Banco Central deva manter o discurso cauteloso diante das incertezas externas e dos núcleos de inflação que ainda incomoda.
Por fim, o governo japonês e os EUA confirmaram uma intervenção conjunta para sustentar o iene japonês. Depois de bater a mínima em quase 40 anos, perto de 164 por dólar, a moeda japonesa disparou com uma intervenção recorde do Ministério das Finanças do Japão — cerca de US$ 59 bilhões vendidos em um único dia, a maior operação cambial já registrada pelo país.
Na sequência, o Federal Reserve de Nova York entrou em cena a mando do Tesouro americano, comprando ienes em nome dos EUA, na primeira ação cambial coordenada entre os dois países desde 2011. Com isso, o iene se fortaleceu para a casa de 157 por dólar, e Japão e EUA devem formalizar nesta segunda-feira uma atuação conjunta para conter a desvalorização da moeda — um movimento que pode reverberar nos mercados globais de câmbio e de juros nas próximas semanas.



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