Boletim KAT | 27/07/2026
- Elisa Machado

- há 1 dia
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O petróleo voltou a ser o grande protagonista da semana. O Brent chegou a superar a marca de US$ 100 o barril na quinta-feira (23/07), pela primeira vez desde maio, após novos confrontos entre EUA e Irã e ataques de rebeldes Houthis a petroleiros sauditas no Mar Vermelho, elevando o risco de disrupção também no Estreito de Bab el-Mandeb, além de Ormuz.
Na sexta-feira (24/07) os preços recuaram cerca de 4%, para perto de US$ 96,70, com sinais de que o tráfego de navios pelos dois estreitos seguia relativamente estável — mas ainda assim a commodity fechou a semana com ganhos expressivos, e o JPMorgan estima que cada mês adicional de interrupção pode adicionar entre US$ 7 e US$ 8 ao barril.
O Ibovespa acompanhou de perto essa montanha-russa do petróleo: caiu 1,52% na sexta-feira, a 174.041,95 pontos, pressionado por Petrobras e bancos após o recuo da commodity, mas ainda assim fechou a semana com leve alta de 0,19%. O dólar encerrou a sexta-feira em R$ 5,0814, com queda de 0,58% na semana e de 7,43% no acumulado do ano — mesmo em meio às novas tarifas comerciais dos EUA sobre produtos brasileiros e à nova taxação de 12% sobre as exportações de óleo cru, que seguem no radar como fatores de pressão adicional sobre a economia doméstica.
Nos juros, as atenções se voltam para a reunião do FOMC de 28 e 29 de julho, a primeira decisão de peso sob o comando do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que assumiu o cargo em maio no lugar de Jerome Powell e vem adotando uma postura mais reservada, sem as sinalizações antecipadas que Powell costumava dar.
O mercado está dividido: parte dos dirigentes, como as presidentes dos Feds de Dallas e Cleveland, defendem que o custo mais alto de energia e de investimentos em IA pode justificar até uma elevação da taxa, enquanto o consenso majoritário ainda aposta na manutenção do intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de manutenção da taxa na reunião de quarta-feira está em torno de 62%, contra cerca de 38% de chance de uma alta de 0,25 ponto — um salto em relação aos apenas 12% de uma semana atrás, reflexo direto da disparada do petróleo. Para a reunião de setembro, o mercado já embute uma chance ainda maior de aperto monetário.
No Brasil, o Boletim Focus mais recente, divulgado em 24 de julho, trouxe uma leve melhora nas expectativas de curto prazo: a projeção do IPCA para 2026 recuou de 5,15% para 5,12%, enquanto os horizontes mais longos seguem com viés de alta — 4,22% em 2027 e 3,80% em 2028. A Selic segue projetada em 14,00% para o fim de 2026, sem mudanças, assim como o câmbio, mantido em R$ 5,20.



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