Boletim KAT | 17/08/2026: Copom cauteloso, inflação no teto e campanha eleitoral
- Elisa Machado

- 17 de ago.
- 2 min de leitura
Na última semana, quatro frentes impactaram os mercados financeiros de ativos brasileiros: ata do Copom, IPCA de julho, escalada no Oriente Médio e a largada oficial da campanha eleitoral — que já mexeu com os preços dos ativos brasileiros.
Na terça (11), foi divulgada a ata do Copom, detalhando o corte de 0,25 p.p. na Selic, para 14% ao ano, decidido dias antes. O texto trouxe um recado de cautela: os juros devem seguir altos por mais tempo, já que as expectativas de inflação seguem desancoradas. No mesmo dia, o IPCA de julho veio em 0,07%, um pouco acima do esperado, levando a inflação em 12 meses a 4,44% — ainda dentro do teto da meta, com os núcleos ainda em níveis preocupantes. No cenário externo, o cessar-fogo no Oriente Médio segue praticamente esvaziado, com escalada entre EUA/Israel e Irã envolvendo o Estreito de Ormuz e o Líbano.
O resultado é pressão renovada sobre o petróleo e o dólar globalmente, reforçando o discurso da ata sobre riscos externos. Mas o grande destaque da semana foi cenário politico domestico, em particular as perspectivas para a eleição presidencial . Com o início oficial da campanha, o mercado começou a embutir um prêmio de risco eleitoral nos ativos brasileiros.
O JPMorgan rebaixou a recomendação para ações brasileiras de overweight para neutra, citando a volatilidade do período eleitoral, e outras gestoras internacionais como a Fidelity também reduziram exposição ao país. O reflexo já apareceu nos preços: o Ibovespa emendou nove sessões seguidas de queda (a pior sequência desde 2023), o dólar foi à maior cotação desde março, e mais de R$ 13 bilhões saíram da bolsa em agosto.
A perspectiva de um período de maior volatilidade nos mercados reforça a necessidade de atenção redobrada às carteiras, com diversificação de produtos e mercados. Vale explorar teses que ajudam a proteger e capturar oportunidades nesse cenário — como exposição cambial e inteligência artificial — para equilibrar o portfólio diante de um segundo semestre marcado por eleição, guerra e inflação.



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