Boletim KAT | 24/08/2026: Tensão geopolítica mantém pressão sobre inflação global e juros
- Elisa Machado

- há 8 horas
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O conflito entre Estados Unidos e Irã permanece como o principal fator de risco para o mercado financeiro global. O fim do prazo do cessar-fogo, aliado à restrição severa ao tráfego no Estreito de Ormuz — rota por onde passa parcela relevante da oferta global de petróleo e gás natural —, levou o Brent a romper novamente a casa dos US$ 90 por barril. O mercado aguarda a divulgação de um novo pacote de sanções dos Estados Unidos contra o Irã e seus parceiros comerciais, com a China no centro das atenções por seguir importando petróleo iraniano. O resultado é um patamar de preços estruturalmente mais elevado, que compõe o pano de fundo macroeconômico mais amplo: a dificuldade dos principais bancos centrais em avançar no ciclo de afrouxamento monetário, uma vez que a inflação de energia continua a alimentar as expectativas de inflação e a limitar o espaço para novos cortes de juros.
No mercado de juros americano, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a duplicação do teto de suas operações de recompra ('buybacks') de títulos de longo prazo, nos vencimentos de 10 a 20 e de 20 a 30 anos. Trata-se de uma resposta operacional a um mercado tecnicamente mais apertado, em um contexto no qual a yield da T-Note de 30 anos atingiu recentemente sua máxima desde 2007, com o objetivo declarado de reforçar a liquidez nos vencimentos mais longos. No entanto, a medida representa apenas um ajuste técnico de gestão de liquidez, e não uma mudança de fundamento.
No cenário doméstico, o destaque da semana fica para a divulagcao do IPCA-15 na próxima quarta-feira. O mercado projeta uma queda em torno de 0,30% na comparação mensal, com desaceleração do índice acumulado em 12 meses para próximo de 4,34% — movimento explicado, em grande parte, pela redução nos preços de energia elétrica associada ao bônus de Itaipu. Cabe ponderar, no entanto, que essa desaceleração pontual, de natureza majoritariamente administrada, não deve ser interpretada isoladamente: ela convive com o mesmo pano de fundo externo de petróleo em patamar elevado e núcleos da inflação em patamar incompatível com a meta de inflação, fatores que tendem a limitar a velocidade com que o Banco Central pode avançar em um eventual ciclo de flexibilização monetária.



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