Dólar a R$ 5,40 e Ibovespa em queda de 13,88%: o que aconteceu no mercado em 26 de outubro
O que aconteceu no mercado ontem (26/10)
A segunda-feira (26/10) foi marcada por uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, em um ambiente de elevada volatilidade e revisão das expectativas econômicas. O movimento começou pelo câmbio e pelos juros, refletindo uma mudança significativa na percepção de risco, e se estendeu à bolsa ao longo do pregão.
Câmbio
O dólar comercial subiu 8,21% e fechou a R$ 5,40, a maior alta diária desde janeiro de 1999. Durante a manhã chegou a passar de R$ 5,60, mas devolveu parte da alta à tarde, com realização de lucros e entrada de recursos de exportadores. Na prática, o real se desvalorizou. Quem ganha com isso são as exportadoras e as empresas com receita em dólar, cujo faturamento passa a valer mais em reais.
O Banco Central não fez leilões extraordinários ontem. A leitura foi de que, apesar da volatilidade, o mercado de câmbio funcionou sem falta de liquidez. Hoje está previsto apenas o leilão de rolagem de swaps cambiais, de até US$ 4 bilhões, que é uma operação de rotina.
Juros futuros
O mercado de juros foi o epicentro do movimento. As taxas subiram mais de 200 pontos-base em praticamente toda a curva: o DI para janeiro de 2028 saltou de cerca de 12,9% para 14,9% ao ano, e os vencimentos mais longos passaram de 15%. Com isso, o mercado eliminou boa parte dos cortes da Selic que estavam precificados. Pesam a percepção de risco fiscal e duas pressões inflacionárias: o reajuste represado dos combustíveis e a própria alta do dólar, que encarece os importados.
A atuação do Tesouro
Quem entrou em campo foi o Tesouro Nacional. Logo cedo, cancelou os leilões de títulos atrelados à inflação (NTN-B) e de prefixados previstos para esta semana, para não vender papéis com o mercado sob estresse. Em seguida, fez uma recompra extraordinária de títulos prefixados (NTN-F de 2031, 2033 e 2037), que somou cerca de R$ 7,1 bilhões. A operação dá liquidez a quem quer vender e ajuda a conter distorções nas taxas.
Bolsa
O Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, a maior queda diária desde março de 2020. No pior momento, chegou a cair mais de 17%, e o circuit breaker foi acionado logo na abertura. Juros mais altos por mais tempo penalizam as empresas mais sensíveis a crédito e consumo interno, e algumas ações chegaram a cair perto de 60%. Os setores mais atingidos foram:
- Varejo
- Construção civil e incorporadoras
- Saúde
- Educação
- Locação de veículos e mobilidade
- Empresas muito endividadas, em especial holdings de infraestrutura
Bancos e empresas de infraestrutura de mercado também recuaram forte.
Próximos passos
O mercado vai olhar principalmente para os nomes da equipe econômica e para as sinalizações sobre a política fiscal. Quem comandará a Fazenda, qual será o compromisso com as contas públicas e como o governo pretende tratar o arcabouço fiscal vão ditar o tom das próximas semanas. Sinais de responsabilidade fiscal tendem a acalmar câmbio e juros; sinais no sentido contrário podem prolongar a volatilidade.
Movimentos dessa intensidade costumam abrir distorções de preço, tanto em ativos que caíram além do que os fundamentos justificam quanto em taxas de juros que voltaram a patamares historicamente altos. Seguimos acompanhando de perto e voltamos a falar conforme as definições em Brasília forem saindo.



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