Cenário após o primeiro turno das eleições 2026
Eleições 2026: o que saiu das urnas e o que observar nos mercados
5 de outubro de 2026 · KAT Investimentos | Safra Invest
O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Lula (PT) e com a decisão marcada para 25 de outubro. Em votos válidos, Flávio teve cerca de 47,0% e Lula, 45,2%, segundo a apuração do TSE divulgada pela imprensa. O resultado inverteu a ordem registrada pela maior parte dos institutos antes da votação. Nas últimas pesquisas, em votos válidos, Lula aparecia à frente no Datafolha (45% a 42%), no Quaest (46% a 45%), no PoderData (45% a 43%), no AtlasIntel (47,0% a 44,1%) e no CNT/MDA (47,8% a 42,1%). A Futura Inteligência, novamente se destacando, em levantamento divulgado em 30 de setembro, registrava 42,2% para Flávio e 39,4% para Lula nos votos totais.
Comparada ao primeiro turno de 2022, a parcial de 2026 mostra Lula com percentuais menores e Flávio com percentuais maiores nas cinco regiões. Lula perdeu 2,6 pontos percentuais no Norte, 3,1 no Nordeste, 5,2 no Centro-Oeste, 3,0 no Sudeste e 5,5 no Sul. Bolsonaro e Flávio ganharam 3,9, 4,0, 2,7, 3,8 e 5,5 pontos, respectivamente. Os ventos da direita não sopraram só na eleição presidencial, resultado da eleição para o Congresso, particularmente o Senado, também mostram o mesmo movimento.
Congresso: por que o Senado e a Câmara importam para os preços
Foram disputadas 54 das 81 cadeiras do Senado, dois terços da Casa. O PL formiu a maior bancada a partir de 2027, e o PSD sofreu a maior perda, de 14 para 5 senadores. Nenhum partido isolado chega aos 41 votos da maioria absoluta, e uma PEC exige 49 votos, três quintos da Casa. Na prática, a governabilidade vai depender de coalizões.
Na Câmara, o PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada. Na comparação com 2022, União/PP, PDT e PSDB/Cidadania perderam cadeiras, enquanto Podemos e Novo estavam entre os que mais cresceram, segundo a projeção da própria Câmara com 99,9% dos votos apurados.
Para o preço dos ativos, isso importa por quatro motivos. O primeiro é o fiscal: PECs, regras fiscais, orçamento e medidas de receita e despesa passam pelo Congresso. O segundo é a governabilidade, já que uma maioria legislativa reduz ou aumenta o custo político de implementar a agenda.
O terceiro é institucional, porque o Senado participa da aprovação de autoridades e de decisões relevantes. O quarto é o horizonte: o efeito político vai além do segundo turno e se estende a 2027 e depois. Por isso, eleição presidencial e Congresso não devem ser analisados separadamente.
Estados e lideranças
Sete unidades da federação seguem para o segundo turno de governador. O mapa estadual também importa para o mercado, porque influencia coalizões e a articulação federativa.
A eleição também retirou do cenário nomes de projeção nacional. Entre os confirmados como não eleitos estão Simone Tebet, Marina Silva, Gleisi Hoffmann, Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros, Ciro Nogueira, Ciro Gomes, Fernando Haddad e Manuela d’Ávila.
Como a eleição chega aos preços
A eleição chega aos ativos por quatro canais, em sequência. O sinal político, formado por eleição e Congresso, afeta a percepção sobre o fiscal, isto é, dívida e resultado primário. O fiscal pesa nos juros, via prêmio de prazo e Selic esperada, e os juros, por fim, chegam aos ativos: real, bolsa e crédito.
O canal central para o Brasil continua sendo a percepção sobre a trajetória fiscal. Uma surpresa eleitoral vai mover preços no curto prazo. Para sustentar o movimento, o mercado tende a exigir informação sobre política econômica, capacidade de aprovação e trajetória de dívida.
Conclusão
A disputa presidencial segue em aberto até 25 de outubro, e pesquisas, alianças e sinalizações econômicas podem reprecificar ativos todos os dias. A composição do Senado e da Câmara define a capacidade de aprovar a agenda fiscal e econômica a partir de 2027. O fiscal continua sendo o canal central: surpresas eleitorais movem preços no curto prazo, mas sustentar o movimento exige informação sobre política econômica e dívida.




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