Inflação recua, mas petróleo e cenário global mantêm os mercados em alerta
O conflito no Oriente Médio segue ditando o humor dos mercados, e a escalada dos últimos dias reforçou o cenário de petróleo estruturalmente mais caro. Ataques com drones em 11 e 12 de setembro forçaram o fechamento do oleoduto East-West da Arábia Saudita — uma das rotas alternativas ao Estreito de Ormuz —, levando o Brent de volta à casa dos US$ 107 por barril e o WTI a cerca de US$ 103. O barril acima de US$ 100 já não é mais um pico pontual, mas um patamar que se repete há meses conforme o conflito entre Estados Unidos e Irã se arrasta, e que segue sendo o principal componente de risco inflacionário monitorado pelos bancos centrais ao redor do mundo.
No radar global, a inteligência artificial também levanta questionamentos que vão além do mercado financeiro. Um relatório internacional de segurança em IA, assinado por mais de cem especialistas ligados à ONU e à OCDE, alertou que a tecnologia pode evoluir mais rápido do que a capacidade de identificar seus riscos — como uso indevido em cibersegurança, biotecnologia e manipulação de conteúdo. Cresce também a defesa de limites globais para sistemas mais autônomos, e o impacto sobre empregos já é citado até por autoridades do Federal Reserve como um fator a acompanhar.
É justamente esse pano de fundo — petróleo elevado e riscos ainda em aberto — que dá um tom de alívio parcial, mas não definitivo, ao resultado do IPCA de agosto. O índice oficial de inflação registrou deflação de 0,32% no mês, levando o acumulado em 12 meses para 4,22% — de volta ao intervalo de tolerância da meta, depois de meses pressionado. A queda, no entanto, foi concentrada em itens administrados e sazonais: o bônus de Itaipu derrubou a conta de energia elétrica em 7,63%, e transportes e alimentação também contribuíram para o resultado. Trata-se de um alívio técnico, que convive com o petróleo em patamar elevado e tende a limitar a velocidade dos próximos passos dos bancos centrais. No Brasil, o mercado precifica cerca de 95% de chance de o Copom cortar a Selic para 13,75% nesta semana; nos Estados Unidos, o cenário é o oposto, com o Fed caminhando para uma nova alta de juros — um descolamento que mostra como cada banco central lida de forma distinta com o mesmo choque de oferta de energia. Esse movimento de mãos opostas tende a reduzir a atratividade do carry trade com o real, pressionando o câmbio num momento em que a moeda já tende a ficar mais volátil por conta do componente eleitoral.




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