KAT/Elisa Machado: ata deve esclarecer se Copom alongará horizonte ou se agiu de forma pontual
- Renata Pedini

- há 3 dias
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São Paulo, 22/06/2026 - A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) deve explicar se o Banco Central alongará o horizonte relevante para controlar a inflação no País ou se agiu pontualmente ao mover esse prazo do fim de 2027 para o início de 2028 em comunicado sobre a redução da Selic para 14,25% ao ano, diz economistachefe da KAT Investimentos, Elisa Machado. Segundo ela, a falta de um esclarecimento já gera um custo de credibilidade, como visto no mercado futuro de juros, onde as taxas subiram fortemente desde quarta-feira passada.
"Isso confirma que a inovação do Copom no comunicado fez um arranhão na credibilidade. O mercado avaliou como excessivamente dovish a decisão de reduzir os juros com essa justificativa fora do 'framework' normal que o Banco Central adota", diz. "O mercado mostrou que realmente houve um custo em termos de credibilidade, dado o comportamento e a inclinação da curva, que cresceu bastante."
Ao reduzir a Selic, o Copom fez referência ao primeiro trimestre de 2028 com inflação abaixo da meta de 3%. "Tem que explicar se o horizonte será mais longo ou se mencionou especificamente por um período de alta volatilidade, em função do choque do petróleo", detalha a economista.
Segundo ela, é preciso lembrar que, no Brasil, a grande âncora do controle da inflação é a âncora monetária. "Do ponto de vista fiscal, tradicionalmente temos tido governos que são muito expansionistas, então o mercado, os agentes como um todo, colocam toda a responsabilidade do combate à inflação, da manutenção do poder de compra da moeda, no Banco Central."
Sem o parágrafo com a menção ao ano de 2028, o comunicado teria sido de fim de ciclo. O Copom deixou a porta aberta para um novo corte da Selic na próxima reunião, em agosto, com o BC "mais que dependente de dados". "O Banco Central sempre deixa muito claro que não trabalha, por exemplo, com questões que ainda estejam em tramitação no Congresso. Só incorpora quando consolidadas.
O fim da escala 6x1 me preocupa muito. É defensável, mas precisa ser endereçada com cuidado porque vai gerar um aumento de custo para alguns setores da economia, e principalmente aqueles setores da economia que impactam diretamente o núcleo de serviços do IPCA", acrescenta. O fim da 6x1, reforça, é um evento fora do ambiente econômico, porque ocorre no ambiente político, mas terá um impacto muito relevante. Também são desafios o El Niño, que se desenha um pouco pior, e o câmbio, que pode se comportar mal nas eleições, além dos juros mais elevados no mundo.
Machado prevê alta das expectativas de inflação na Focus, e não vê motivo para queda dos núcleos de inflação. "Haverá pressão inflacionária por um bom tempo." Ela tem 5,8% de projeção para a inflação e 14,25% para a Selic em 2026.



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