Portfólio: Títulos pós-fixados se mantém atrativos e trazem segurança mesmo com Selic em queda
- Eduardo Puccioni

- há 5 dias
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São Paulo, 05/08/2026 - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou há pouco um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano, em decisão unânime. Com isso, como ficam os investimentos? Leia a seguir os principais destaques dos especialistas ouvidos pela Broadcast.
Diversificação na renda fixa
Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, mantém a preferência por títulos pós-fixados. "São títulos que vão continuar performando muito bem, com baixa volatilidade. Em um ambiente de Selic alta por bastante tempo. Hoje o nosso título favorito é o pós-fixado, depois o IPCA+ e por último o prefixado", afirma o especialista, que fez projeções para investimentos na renda fixa em seis meses, dois anos e cinco anos, conforme as tabelas a seguir:
Rentabilidade de R$ 1 mil após 6 meses
Investimento | Rentabilidade bruta | Valor líquido | Rentabilidade líquida descontada a inflação |
CDI | 6,68% | R$ 1.053,42 | 2,80% |
Poupança | 4,05% | R$ 1.040,48 | 1,54% |
Tesouro Selic 2028 (Selic + 0,05%) | 6,75% | R$ 1.051,91 | 2,66% |
CDB 102% do CDI (liquidez diária) | 6,81% | R$ 1.054,45 | 2,90% |
CDB/RDB/LC 102,5% do CDI | 6,84% | R$ 1.054,71 | 2,93% |
CDB/RDB/LC Pré-fixado 14% a.a. | 6,77% | R$ 1.054,17 | 2,88% |
Fonte: C6 Bank
Rentabilidade de R$ 1 mil após 2 anos
Investimento | Rentabilidade bruta | Valor líquido | Rentabilidade líquida descontada a inflação |
CDI | 29,96% | R$ 1.254,66 | 16% |
Poupança | 17,20% | R$ 1.172,02 | 8,36% |
Tesouro Selic 2028 (Selic + 0,05%) | 30,30% | R$ 1.255,27 | 16,06% |
CDB 102% do CDI (liquidez diária) | 30,60% | R$ 1.260,09 | 16,50% |
CDB/RDB/LC IPCA + 8,2% a.a. | 26,63% | R$ 1.226,32 | 13,38% |
Fonte: C6 Bank
Rentabilidade de R$ 1 mil após 5 anos
Investimento | Rentabilidade bruta | Valor líquido | Rentabilidade líquida descontada a inflação |
CDI | 96,37% | R$ 1.819,16 | 47,74% |
Poupança | 18,71% | R$ 1.487,10 | 20,77% |
Tesouro Selic 2031 (Selic + 0,105%) | 97,66% | R$ 1.827,15 | 48,39% |
CDB 102% do CDI (liquidez diária) | 98,86% | R$ 1.840,34 | 49,46% |
CDB/RDB/LC IPCA + 8,2% a.a. | 82,61% | R$ 1.702,16 | 38,24% |
CDB/RDB/LC Pré-fixado 14,95% a.a. | 100,70% | R$ 1.855,94 | 50,72% |
Fonte: C6 Bank
Freller lembra que a renda fixa houve muita movimentação dos negócios nos últimos um mês e meio, uma inclinação da curva de juros, com os vencimentos mais curtos oferecendo uma taxa menor do que 45 dias antes, enquanto as taxas de vencimentos mais longos começaram a subir.
"Isso aconteceu porque tivemos surpresas positivas aqui na inflação brasileira [IPCA-15 abaixo do esperado pelo mercado]. No entanto, a questão fiscal e o contexto internacional [tensão entre EUA e Irã trazendo aumento do preço do petróleo] pioraram", explica.
Sobre a aplicação em títulos atrelados à inflação, por exemplo, hoje no Tesouro Direto é possível comprar um título Tesouro IPCA+ 2032, que paga a inflação +8,10%. Freller destaca que é preciso fazer uma diferenciação quanto ao vencimento, porque a parte mais longa depende muito do risco fiscal.
"Como não vemos melhora no fiscal, não há muita vantagem em aplicar títulos indexados ao IPCA com vencimento mais longo. No entanto, os vencimentos mais curtos podem ser um bom investimento, justamente pela perspectiva de inflação maior ao longo dos próximos anos", afirma.
Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, compartilha da mesma opinião, acreditando que os títulos pós-fixados ainda estão atrativos para o investidor.
"São títulos que tendem a permanecer atrativos por mais tempo, dada essa perspectiva de queda lenta da taxa de juros". Para ela, dois fatores principais têm influenciado esse cenário de corte lento da Selic: um é a instabilidade geopolítica, que mexe com o preço do petróleo e puxa a inflação para cima. O outro é o cenário doméstico, com a preocupação com alguns núcleos da inflação e dados, principalmente, relativos ao mercado de trabalho.
Machado destaca também que há oportunidade nos títulos IPCA+, pois estão com taxas atrativas.
"Quando olhamos para o horizonte, gostamos mais do meio da curva, vencimentos 2032 e 2035, e até esticando mais um pouquinho", afirma a economista, lembrando que há papéis com remunerações reais bem atrativas.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, afirma que o corte de hoje já foi precificado pelo mercado, que colocou uma queda na rentabilidade dos títulos pós-fixados.
"O grande recado vem no comunicado. O Boletim Focus teve uma revisão essa semana para 13,75% da Selic no final do ano, ou seja, há espaço para termos mais uma queda. Caso o Banco Central sinalize isso, deve ter um fechamento da curva de juros. Aí, os investimentos prefixados tendem a performar melhor, ao menos no curto prazo", destacou.
Gustavo Almeida, head de Renda Fixa na Suno Research, também acredita que o corte de hoje já está precificado. Para ele, os títulos pós-fixados, com referência para o Tesouro Selic, os títulos privados bancários, como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), as Letras de Crédito do Agronegócio e Imobiliário (LCAs e LCIs), além dos corporativos como as debêntures, perdem atratividade marginal daqui pra frente.
Mas Almeida também cita a importância de se manter os títulos pós-fixados na carteira, mesmo que com menor rentabilidade.
"Os pós-fixados têm um papel secundário no portfólio de um investidor. O investidor que quer reduzir a volatilidade da sua carteira e quer ter uma opção de caixa de liquidez pode privilegiar o investimento em Tesouro Selic, por exemplo. Existem outras funções para além da rentabilidade que esses papéis podem entregar para o investidor. E são tão ou até mais importantes do que a rentabilidade em si".
Almeida considera que os títulos prefixados têm rentabilidade atrativa, com foco no curto prazo.
"Existem títulos públicos com taxas na ordem de 14,30%, que são taxas historicamente muito elevadas. A média do prefixado sem pagamentos de cupons é de 11,70%. Então a taxa de 14,30% está bem acima dessa média. Os prefixados carregam uma inflação implícita na casa de 6%, ou seja, para perderem atratividade, a inflação realizada daqui até 2032, por exemplo, tem que superar 6% ao ano, algo que não é factível."
Atratividade na Bolsa
Apesar de pequeno, o corte na Selic de hoje pode trazer benefícios para as empresas e, consequentemente, para a precificação das ações. Segundo Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial, apesar de pequeno, a redução deve trazer algum impacto.
"Com o corte de hoje e uma sinalização de mais um de 0,25 ponto na próxima reunião, é mais provável que o mercado tenha uma reação positiva. Empresas cíclicas podem ter um desempenho melhor, como as dos setores de varejo e construção", afirmou.
Marco Saravalle também acredita que o tom do comunicado e a abertura de uma possibilidade de um corte adicional pode ajudar os ativos mais ligados à economia local.
Contato: eduardo.puccioni@estadao.com — Broadcast+



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