Juros sobem lá fora, caem aqui: o que muda para o dólar
A semana passada foi marcada pelas reuniões dos principais bancos centrais do mundo, e o tom foi de aperto em todos, com exceção do Copom. O Fed subiu os juros em 0,25 ponto, para 3,75% a 4%, por unanimidade, e indicou mais uma alta até o fim do ano. O Banco do Japão elevou a taxa para 1,25%, o maior nível desde 1995, e sinalizou que vai continuar apertando. O Banco da Inglaterra manteve em 3,75%, mas com três votos pela alta imediata e aviso de aperto à frente. Só o Copom foi na contramão, cortando a Selic de 14% para 13,75%, sem sinalizar os próximos passos. Para o câmbio, o impacto vem pelo carry trade: com o juro subindo lá fora e caindo aqui, o diferencial que sustenta o real encolheu pelas duas pontas. O dólar reagiu pouco e fechou a semana estável, perto de R$ 5,12, mas o risco de perda de fluxo para o real aumentou.
No radar externo, a guerra segue como principal fonte de risco. O Brent recuou cerca de 2% hoje, para perto de US$ 101,75, o menor nível em 11 dias, com o mercado apostando em algum avanço diplomático a partir da Assembleia Geral da ONU. Os fluxos por Ormuz melhoraram: o volume de petróleo saudita passando pelo estreito chegou a 2,9 milhões de barris por dia nos últimos seis dias, contra 700 mil em agosto. Só que o prêmio de risco não some: EUA e Irã trocaram novas ameaças no domingo, a Guarda Revolucionária avisou que atacaria alvos inéditos se houver nova ofensiva americana, e os houthis reivindicaram ataques a Riad e a uma instalação da Aramco.
Na agenda, a semana abre com o Focus, em que a projeção para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50%, o que indica mais um corte de 0,25 ponto até dezembro. Os destaques são a ata do Copom na terça (22), o Relatório de Política Monetária na quinta (24) e o IPCA-15 de setembro na sexta (25). Lá fora, os PMIs saem na quarta (23), os pedidos de seguro-desemprego na quinta e os bens duráveis e a confiança do consumidor de Michigan na sexta. Além dos dados, o mercado deve ficar atento a desdobramentos da campanha e às novas pesquisas eleitorais, a menos de duas semanas do primeiro turno.




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